Oração é demonstração de amor

Oração é demonstração de amor

Oração é demonstração de amor diante do trono de Deus. E as Escrituras nos ensinam que não devemos escolher a quem amar, a quem perdoar ou a quem estender a mão. O próprio Cristo nos ordenou: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44). Nosso Messias, o Senhor Jesus, foi o mais humilde entre os seus irmãos, servo de todos. Ele é o Deus que pegou a bacia e a toalha, lavou os pés dos discípulos e os serviu (João 13:4–5). O perdão, a reconciliação, o amor, a graça e a misericórdia não são apenas virtudes cristãs — são mandamentos para todos aqueles que desejam seguir a Cristo e guardar seus ensinamentos.

Vivemos dias de tensão e polarização, em que muitas vezes afirmar algo é interpretado como rejeitar outra coisa. Somos pressionados a nos enquadrar em moldes impostos por esta era — moldes que, nem sempre, refletem a cosmovisão bíblica ou o coração de Jesus.

Ao olharmos para as guerras e tensões no Oriente Médio — a situação em Gaza, na Palestina, o ataque de 7 de outubro contra os israelenses, ou ainda o contexto do Irã, onde mulheres são perseguidas e mortas por revelarem seus cabelos — somos confrontados com uma pergunta inevitável: como devemos nos posicionar?

A quem me acompanha e conhece um pouco da minha teologia, sabe que não adoto a teologia da substituição. Creio firmemente que Israel tem um papel profético e que, sim, é o povo de Deus — um povo que será salvo na manifestação do Messias, conforme Romanos 11:25–27. No entanto, isso não significa que a atual nação de Israel represente, em sua totalidade, o cumprimento das promessas de restauração profetizadas nas Escrituras (Isaías 2:2–4; Zacarias 12:10; 14:9).

Apoiar Israel, portanto, não é sinônimo de ignorar a dor de outros povos, nem de endossar os erros de seus líderes. Com certo grau de ingenuidade — mas com todo o meu coração — quero te convidar, você que lê este blog ou me acompanha em outros espaços, ao cerne do evangelho segundo Mateus 5:9: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”

Num tempo em que uma opinião parece anular a outra, talvez nosso chamado não seja “ficar em cima do muro”, mas, antes de tudo, manifestar amor, misericórdia e paz antes de manifestar opiniões.

Confesso que, com minha mente limitada, não tenho soluções para o que está acontecendo hoje no Oriente Médio. Não posso apoiar regimes de islamismo extremo, como o do Irã, que por décadas oprimem seu próprio povo. A cultura milenar persa tem sido sufocada por um regime que apaga sua herança. Também não posso apoiar o Hamas, nem compactuar com um discurso progressista que rotula Israel como colonizador e nega o direito de o povo judeu existir. Esse tipo de narrativa, meus irmãos, é antissemitismo — e eu não posso me calar diante disso.

Contudo, também não posso fechar os olhos para crianças entre escombros, para civis mortos aos milhares — seja na Faixa de Gaza, seja em Tel Aviv sob ataque, seja no próprio Irã. Homens e mulheres estão sendo esmagados sob as garras da guerra e do extremismo. Eu não consigo simplesmente aceitar essas coisas. Mas tampouco tenho uma solução humana para elas.

Por isso, confio na soberania e no plano redentor de Deus. Ele é o Senhor da história — e é Nele que desejo repousar meu coração. Quero chorar, me envolver, sentir a dor dos bebês, das crianças, das mães e pais que sofrem no meio de tudo isso. Quero orar pela Igreja perseguida — no Irã, em Israel, na Palestina. Interceder pelo remanescente fiel que confessa Jesus em cada uma dessas regiões.

Desejo me comprometer com a dor dos que sofrem — não por ideologia, mas por amor ao coração de Jesus. Porque é isso que Ele nos chama a fazer. Os pacificadores serão chamados filhos de Deus — não os indiferentes, nem os ideológicos, mas os que se movem em oração, compaixão e justiça.

Essa paz, irmãos, só pode ser produzida pelo próprio Deus. A justiça verdadeira, a vingança perfeita, pertencem somente a Ele.

Queridos amigos, que nosso coração se posicione diante de Deus em oração, em temor e em tremor. Que sejamos encontrados orando mais do que opinando, chorando mais do que acusando, servindo mais do que rotulando.

Que nossa alma encontre repouso não nas respostas fáceis, mas na presença fiel do Senhor. Mesmo sem entender todos os caminhos, que estejamos aos pés d’Ele, com as Escrituras em mãos, sendo guiados pelo Espírito Santo, orando com fé e sinceridade. Não fomos chamados a carregar o peso de resolver o mundo, mas a confiar naquele que sustenta o universo com a palavra do seu poder.

Que nossa intercessão não brote da ansiedade de querer resolver tudo, mas do amor que se recusa a ser indiferente. O lugar da oração é o lugar onde oferecemos ao Senhor o que temos: perguntas, lágrimas, compaixão e fé. E isso basta — porque o Deus que ouve é também o Deus que age.